Consideracoes sobre o Retorno solar

retorno solar

Algumas considerações sobre o Retorno Solar

No artigo anterior, a gente discutiu um pouco como fazer um retorno solar. Coloquei fotos para que mesmo quem não fala inglês não tenha muita dificuldade em fazer uma Revolução Solar (RS para os íntimos) no www.astro.com. Também coloquei algumas dicas de como se verificar se o ano é importante ou não. Planetas ou os nodos nos ângulos do RS são fatores importantes, assim como qual é o regente do asc da RS. Agora queria fazer mais algumas considerações para as pessoas irem aprendendo mais sobre o método.

O Ascendente da RS e as casas astrológicas natais

Uma coisa que eu esqueci de dizer no último post era que a casa onde o Ascendente da RS cai não é totalmente aleatório. Principalmente mais perto do equador, o ascendente da revolução segue um padrão de quatro em quatro signos… se o seu ascendente natal era touro, na maior parte das vezes a revolução solar vai alternar entre touro, Leão, escorpião, aquário… nesses casos a indicação que eu dei de que “veja em que casa natal cai o ascendente da RS” deve ser tomada com mais cuidado. Mas mesmo nesses casos, o ascendente da Revolução solar também cairá nos outro signos.

Os planetas e os signos

Como você já deve saber, principalmente se leu o texto anterior, é que o Retorno Solar é calculado para o momento exato que seu sol volta para a posição que tinha no nascimento. Se seu sol estava em 10 graus de virgem, seu retorno solar será para esse exato momento em que alcançar o grau, minuto e segundo no signo de virgem. Isso em geral acontecerá a um dia a mais ou a menos do aniversário.

A conclusão óbvia disso é que o sol sempre estará no mesmo signo que no nascimento, conjunto ao sol natal. Pode parecer óbvio, mas já vi muita gente falando, com toda a seriedade: “no ano que fulano subiu ao poder, seu Sol estava em conjunção ao Sol natal no Retorno solar”. Sério, não tenho a prova do crime mas não tô mentindo !

Assim, não faz muito sentido prestar atenção na posição do Sol por signo, como dignidade, etc, e sim focalizar mais na casa em que está, em que casas rege na RS e que aspectos sofre.

Infelizmente isso também vale pra quase todos os outros planetas. Júpiter se move um signo por ano. Ou seja, todo mundo esse ano (2007) terá uma RS com Júpiter em sagitário… Saturno está desde 2005 em Leão, Urano, Netuno e Plutão são muito mais lentos ainda. Ou seja, você verá esses planetas, ano após ano, no mesmo signo, andando grau a grau.

E os mais rápidos ? Bem, mercúrio e vênus são mais rápidos, mas nunca estão longe do Sol. Mercúrio não se afasta mais que uns 22 graus e vênus uns 48 graus, se não me falha a memória. Então dificilmente estarão a mais de dois signos de distância. Novamente sem muita variedade aí.

Sobra como planetas “móveis” a lua e marte. Esses dois, para todos os efeitos práticos, têm uma posição na RS independente do Sol. Para o resto, como o Sol, têm mais sentido ver sua posição em relação às casas e aspectos. John Frawley defende especialmente que a posição da Lua é muito importante para os Retornos Solares, e a posição do Sol é muito importante para os Retornos Lunares.

História da Revolução Solar

Quem inventou a RS ? Bem, hoje em dia as pessoas usam a RS como se fosse uma invenção sobre a qual todo mundo tem algo a dizer de como interpretar, uns dizem que seguem a Morinus, outros que usam como Volguine, mas o fato é que ela é muito, muito, muito velha.

O primeiro registro que temos é do astrólogo grego Vettius Valens, de dois mil e bolinha anos atrás. Ele inventou as Revoluções Solares ? Também não ! Segundo o próprio, depois de procurar por muitos anos por um método que desse previsões para um ano específico, ele encontrou um astrólogo (talvez indiano, egipcio, persa, não se sabe) em uma de suas viagens, que ensinou esse método das revoluções, já velho naquela época !

O ocidente NUNCA valorizou o conhecimento, apenas o poder. Qualquer idiota que tinha uma teoria ou crença nova, simplesmente reescrevia, ignorando o que os outros fizeram (e isso vem desde ptolomeu !) ou mais simplesmente ainda, queimando o que os outros escreveram. Quem sim dava muito valor ao conhecimento eram os árabes. Não apenas eles conservaram intacto todos os trabalhos de platão, aristóteles (trabalhos esses que os neo platonistas também tentaram apagar da história !), as peças gregas, a astronomia e a matemática pitagórica, os tratados de hipócrates, ou seja, toda a herança do ocidente (que o próprio ocidente tentou apagar em sua miséria) como também os árabes salvaram os trabalhos de astrologia, e com eles a técnica dos retornos solares, aperfeiçoando a técnica mais ainda.

Dos árabes, com certeza o mais destacado é Abu Mashar e seu livro Sobre as Revoluções Solares. Até hoje esse livro não está traduzido completamente, e assim grande parte da técnica nunca chegou ao ocidente.

Esquecendo as técnicas da Revolução Solar.

À medida que finalmente o projeto hindsight vai traduzindo os textos medievais, árabes e gregos, vamos podendo beber nas fontes originais, e descobrimos que após a renascença, os astrólogos, como Lilly e Morin, simplesmente jogaram todas as técnicas antigas fora, no afã de criar uma astrologia “grega”, “científica” e “sem as bobagens árabes”. (Mais sobre isso em breve).

Por exemplo, quando vemos os trabalhos de Vettius Valens ou de Paulus Alexandrinus, vemos bem claramente que a Revolução Solar era feita sempre em conjunto com o sistema chamado de Profecção. A profecção é simplesmente avançar o ascendente natal um signo por ano. O Rodolfo escreveu três textos introdutórios sobre essa técnica:um Exemplo de Profecção e Combinando técnicas medievais (firdaria, revolução solar e profecção). O Gerson Pelafsky tem un artigo mais denso sobre o tema: o Ano climatérico de Tony Blair.

Já quando vemos a astrologia renascentista, vemos que a profecção, apesar de mencionada, é raramente utilizada, e perdeu seu caráter de “unidade” com a RS.

O Desaparecimento da Revolução Solar

Depois da queda da astrologia no século 19, e seu quase total desaparecimento, muito foi esquecido, e assim o foram técnicas como a firdaria, a profecção, e o retorno solar. Tudo que restou foram horóscopos de signo solar nos jornais e coluninhas de qual signo combina com qual, mas nada mais sério que isso…

Nesse ponto foi importante o trabalho de Alexandre Volguine na tentativa de ressucitar as revoluções solares, mesmo que com uma série de adaptações e problemas, como já descrevemos no artigo A revolucao solar é um mapa provisório ? Esse tipo de interpretação mais modernosa e de cunho psicologista pode ser encontrada por exemplo no trabalho de Celeste Teal.

Conclusão:

Espero que esse artigo não tenha sido uma decepção para quem esperava uma análise mais técnica… mas é essencial que se tenha sólido alguns aspectos conceituais e históricos que são a base que dá sustentação à técnica. O Retorno solar é uma técnica que existe há pelo menos 2000 anos, talvez bem mais, o mínimo que se pode fazer é honrar a técnica, e não tratá-la como se fosse um adereço, um brinquedo que qualquer um chega e mexe.

Quando eu ainda não tinha acesso há muita literatura astrolológica, uma vez fiquei todo entusiasmado de encontrar na livraria um livro de retornos solares (coisa rara você encontrar em livraria brasileira qualquer livro de astrologia que não seja do estilo “entenda seu signo”).

Mas que decepção ! Livro de astrólogo brasileiro então, já sabe como é… METADE do livro era de considerações aleatórias sobre o retorno do tempo, os ciclos da vida, o sol e a alma e o espirito, e a sephiroth, etc, etc, etc…

Por isso que acho importante esse tipo de artigo… para que a pessoa pelo menos consiga identificar os picaretas !

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7 comments on “Consideracoes sobre o Retorno solar
  1. Gi says:

    Muito bom, muito bom! Bravo Yuzuru, especialmente a parte sobre o “ocidente nunca valorizou o conhecimento, só o poder” e a parte dos árabes, que me toca afetivamente. Um dia explico. Ou preciso? hihi Quando gosto muito de um texto seu não há muito o que falar e também quando não tneho dúvidas, o que é raro. 😉 Bjs

  2. yuzuru says:

    Acho que vivemos num mundo muito preconceituoso, onde os dois lados agem da maneira errada, que só serve para confirmar os preconceitos do outro, assim como a sua “retitude moral”.
    lembra de alguns anos atrás a superinteressante fazendo materia de “será que o corao estimula a violencia ?”
    Ora, se eles nao acham que isso é preconceituoso, vamos substituir isso por Biblia, Torá, Budismo ou o que for, e ver a reacao que traria !
    Mas isso já é um pouco fora do tema ;-P

  3. Gi says:

    Nem me fala, “quérido”. Realmente parece até fora do tema, porque trata-se de livros religiosos, mas acaba se encaixando perfeitamente no seu texto, sabe por que? Porque há justamente isso que você falou, o preconceito. Ele ao invés de separar, acaba aproximando tudo, ao menos na “lousa mental” daqueles que ousam pesquisar mais. Eu sou uma dessas pessoas. Nunca me satisfaço com a primeira visão que tentam me enfiar pela goela abaixo. Ainda que minha procura se faça de forma afetiva no início pra depois terminar numa busca intelectual incansável. 😉

  4. Ricardo says:

    Será que Morin e Lilly tiveram acesso a bons livros? Se hoje em dia nós temos uma dificuldade no acesso a alguns livros. Até aí criar um monte de besteiras não acho legal, mas de certa forma eles deram um boa contribuição, até hoje ninguém mais, não tenho visto contribuição moderna melhor que a deles.(o pouco que tenho visto)

  5. yuzuru says:

    Olá, Ricardo
    acho que morin e lilly tiveram acesso limitado aos livros mais antigos. Por exemplo, no caso de Bonatti, ele comete um erro na ordem da firdaria por nao ter o livro original de Abu Mashar.
    A contribuicao dos dois é inegavel, ainda que tambem nao coloco nenhum dos dois em pedestal. Mas com certeza eles eram fantasticos. Mas eles tambem eram revisionistas, e ai que se limita minha critica a eles… muitas vezes declararam como falso conhecimentos que eles nao entendiam direito. (O mesmo que muito tonto faz hoje em dia)

  6. yuzuru says:

    Por sugestao do Ricardo, coloquei o link do astro.com em portugues.

  7. “O ocidente NUNCA valorizou o conhecimento, apenas o poder.” Engraçado, outro dia, lendo um artigo do Rodolfo Veronese a respeito do Rethorius pensei justamente na beleza de estudar Astrologia Tradicional como uma forma intensa de puro amor ao conhecimento. Foi exatamente essa a relação que me fez querer mais. E como forma de estímulo intelectual fora das disputas do meio literário. Por mais que haja disputas entre os astrólogos, com a mesma carga de vaidade e mesquinharia de todo núcleo de poder, pra mim é um espaço à liberdade mental, por não se relacionar diretamente com o trabalho criativo de sempre. Quanto mais te leio, mais vou gostando.

    Mas, sabe, entendo exatamente o que quer dizer em relação ao desrespeito do conhecimento anterior. Aqui, sobretudo na América, e mais ainda no Brasil, existe a tal da tradição das rupturas, conforme bem notou o Octavio Paz. E é um problema. Mesmo assim, o revisionismo, quando movido pela mesma amizade ao saber (e não por mero desejo de poder) é uma ferramenta altamente útil e necessária (ou, talvez, não o revisionismo, mas a resistência a estruturas ideiais que também trazem em seu bojo preconceitos diversos) . Um exemplo: a tradição literária e a misantropia e a misoginia tem relações muito íntimas. A misoginia, aliás, na tradição das Artes Plásticas, da Filosofia (e segue uma lista interminável de saberes nos quais a misoginia vem junto), a misoginia vem atrelada a conceitos, teorias, pensamentos que é preciso rever, faxinar, reorganizar, o famoso pôr em pratos limpos. | Hum. Vale a pena pensar em mais calma nessa questão, e voltar depois, com
    as ideias mais ajustadas à escrita.

    Beijos, pessoa interessante. [e espero que esses comentários todos não caiam na sua Caixa de Entrada, o que há de me envergonhar 😉 ]

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