Review: The Art of Forecasting uning Solar Returns

9781902405292m

Minha opinião curta e grossa:

fiquei extraordinariamente decepcionado com esse livro. O livro recebeu uma série de críticas muito favoráveis, de que era um ótimo livro sobre Retorno solares, mas para mim é tudo “hype”, modismo. O livro é de qualidade, no máximo, mediana, e o que chama mais interesse para o astrólogo tradicional, que são as partes relativas a Morin e outros autores antigos, é superficial e cheia de vícios de astrologia moderna. Para um astrólogo moderno, é até uma boa compra, porque a maioria dos livros de Retorno solar são absolutamente horríveis e mal escritos, e há pouquíssimas opções (mas mesmo assim, eu sugiro o livro de Nance McCullough que é muito superior, e é de astrologia moderna). Para o astrólogo tradicional, é uma perda de dinheiro (principalmente considerando os custos em dólar).

Atenção: se você não sabe o que é um retorno solar, um bom local para começar é aqui: Como calcular a revolução solar.

Descrição rápida do livro:

O livro, mais que ser um manual, pretende ser uma leitura “neutra” de diversos autores, como Volguine, Morin, Shea, Merryman, etc. Analisando em cada capítulo um autor, o livro pretende, ao final, ser uma síntese “do que funciona” e dar uma visão ampla do método.

O livro começa com a análise de Volguine, basicamente da comparação do RS a partir da interposição do Ascendente da RS com as casas do mapa natal. Por exemplo se o ASC da RS está na casa 8 natal, os temas da casa 8 serão trazidos à tona. Para os gringos, é até importante uma análise de Volguine, mas nós brasileiros temos a tradução do francês disponível há vários anos. Eu comprei a minha cópia faz muito tempo, por uns 10 reais num sebo. Procurando na internet, você acha o pdf em espanhol. (Fofoca: um “importante astrólogo brasileiro” oferece um curso de Retornos Solares que nada mais faz que copiar os dois primeiros capítulos de Volguine. Meu conselho é poupe seu dinheiro e compre o livro que é muito mais barato).

Depois discute as “polêmicas” no método: usar a localidade natal, onde a pessoa nasceu, ou o lugar onde ela está durante seu RS. Usar a forma normal ou a com “ajuste de precessão”. Essa parte do livro é tão decepcionante que vale um comentário adicional abaixo.

Depois Anthony Louis publica alguns aforismos de Morin, astrólogo renascentista francês, que também colocou como pedra fundamental de seu método a comparação entre mapa natal e RS. Primeiro problema é que todos esses aforismos estão publicados na internet. Segundo é que o livro muito fala, mas pouco aplica. Afinal, Louis é um astrólogo moderno, e ele fica tão encantado cada vez que encontra um mercúrio em semiquadratura com plutão, que fica cego a centenas de outras indicações que nunca escapariam a Morin. Thomas dá exemplos de como uma série de aspectos e ativações nos mapas analisados são totalmente ignoradas em nome de um aspecto dos transaturnianos ou outros conceitos modernos, de origem duvidosa, como o “ponto da morte”.

Por último, se concentra nos astrólogos modernos, Merriman, Shea e Eshelman. Essa parte me pareceu totalmente desnecessária, porque ou eles repetem o que já foi dito em outras partes do livro, por autores mais antigos, ou incluem coisas que simplesmente não funcionam. O livro de Shea principalmente, é de péssima qualidade, e só serve para os que se contentam com as previsões mais vagas possíveis, e apenas de cunho emotivo. Coisas do estilo como “você vai sentir sua individualidade desafiada durante o período” abundam entre os Sheanos.

Pior problema do livro

O pior problema do livro é, sem sombra de dúvida, a atitude moderna de “todos estão certos”. Nada está errado, tudo é válido, todos os caminhos levam a Roma. Isso é bonito para os astrólogos que não consideram a astrologia um método, um conhecimento, e sim uma opinião, uma “intuição”, uma brincadeira que qualquer um pode fazer, sem precisar se esforçar ou estudar. Mas na prática, todos os caminhos não levam a Roma. Porque na prática uma pessoa está saudável ou doente. Ela se divorcia ou se casa, mas ela não faz tudo ao mesmo tempo.

O livro defende que o RS usando o local de nascimento funciona. Mas o local de residência funciona também. O autor recomenda usar o RS sem precessão. Mas adivinhe: usar a precessão funciona também ! Uau ! E que tal usar uma RS conversa (ou seja, ao invés de usar seu trigésimo aniversário, +30, você usa o aniversário -30, ou seja, 30 anos antes do seu nascimento) ? Claro, porque elas funcionam também e “podem dar indicações muito úteis”.

Qual é o problema com esse tipo de atitude ? O livro tenta se vender como um método preditivo. Quando você está tentando fazer previsões, o maior problema é dizer o que não vai acontecer. Você pode dizer que o “ano vai ser de muitas mudanças”, ou que novos relacionamentos vão aparecer. Isso é fácil, dá para fazer em alguns minutos. O que é difícil, e dá realmente trabalho, é olhar e dizer: “você não vai morrer esse ano”. O grau de certeza depende de muitas e muitas análises de fatores.

Já estudei várias linhas de astrologia e a brincadeira de “todas as cartas funcionam” é boa para quem já sabe o resultado e pode olhar a carta depois do fato, e dizer “viu como funciona?”. É claro que, para muitos astrólogos, isso é considerado como adequado, mas eu espero que o leitor do blog tenha padrões mais altos. Mire na lua para atingir uma águia, mire na águia para atingir o seu próprio pé.

Finalmente:

O problema do livro não é ser de astrologia moderna, e sim de usar uma versão travestida de astrologia tradicional, já que o autor se dispõe a usar o método de Morin e Volguine, e acaba usando apenas a versão “light”.

Os astrólogos, tanto modernos quanto tradicionais, na minha opinião, podem disfrutar muito mais do livro de Nance, com o link acima, que é um livro de astrologia totalmente moderna. Para ter uma idéia, a autora só usa urano, netuno e plutão como “regentes” de aquário, peixes e escorpiao. Mesmo assim o livro é sério e conciso, tem foco preditivo, e não cai no espírito de “todo os lados estão certos, vamos unir as mãos e cantar”. A autora é muito séria nesse sentido: nas primeiras páginas dá ao leitor suas escolhas (usa sempre o local do nascimento, usa o sistema de casas iguais, usa o zodiaco tropical, portanto sem precessão) e o leitor que decida seguir essas diretivas ou não. Outra vantagem é que o livro é muito mais barato.

No geral o livro me pareceu uma compilação meio superficial, com várias referências feitas à internet, mas sem nenhuma referência a livros mais difíceis de se encontrar como o livro de Abu Mashar, “on Solar Revolutions” ou aos trabalhos de Valens.

O livro vai até atrair vários leitores, e pelo que tenho ouvido, muita gente ficou muito contente com o livro. Mas imagino que seja gente que está tendo contato pela primeira vez com as idéias de Volguine e Morin, então acaba tendo a idéia de que o livro oferece uma “chave” para a leitura das RS. Mas, para quem já está na estrada faz tempo, é apenas uma refeição requentada e com mais marketing que conteúdo.

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3 comments on “Review: The Art of Forecasting uning Solar Returns
  1. Rodolfo says:

    “as partes relativas a Morin e outros autores antigos, é superficial e cheia de vícios de astrologia moderna.”

    E tem alguns livros assim no mercado que me dão náuseas de raiva… Aquele Joseph Crane adora modernizar a Astrologia Helenística… Ele tem medo de prever! Ele se borra de medo de dizer um prognóstico! Isso é quase um tabu pra ele… Não vou mentir pra você que me dá vontade de puxar os bigodes dele até sangrar. No segundo livro ele até melhorou mas continuou aquela coisa morninha semi-psicológica. Anacronismo me dá náuseas!

    Quanto à teoria das Revoluções, gostaria de ouví-la com certeza. Infelizmente o sexto livro é de papel mesmo mas tem uma coisa que eu vou te enviar porque não sei se você tem. é coisa boa, rapaz…

  2. Maria Tereza says:

    Yuzuru, li agora o seu texto comentando um livro sobre revoluçao solar e dei uma olhada em outros artigos. Em um deles, vc diz:
    //Algumas indicações de que um ano vai ser particularmente importante podem ser:
    ·Planetas muito próximos a um dos ângulos (ASC-DSC ou MC-IC) até uns 3 graus.
    ·os Nodos perto dos ângulos ou conjunto um planeta
    ·o Ascendente na Revolução solar voltando ao signo do ascendente natal //
    A minha dúvida é sobre esses pontos:
    — planetas da RS q estejam conjuntos a angulos nao da Revoluçao, mas do mapa natal, sao indicaçao de um ano importante?
    — planetas da RS conjuntos aos Nodos lunares do mapa natal tb podem ter efeito semelhante a “Nodos (…) conjunto um planeta”?
    abç
    Ma. Tereza

    • yuzuru says:

      Maria Tereza, dai comeca a complicar, pq vc sabe, há tantas teorias sobre o assunto… os fatores que eu estava listando sao do Frawley, eu por exemplo tambem considero outros fatores.

      Hoje em dia, acho que qualquer fator isolado nao é suficiente para saber se o ano vai ser importante. As cartas mais quietinhas as vezes sao as mais perigosas.

      Mas no caso especifico dos fatores que voce disse, eu diria que, nao necessariamente eles dizem se um ano vai ser importante, mas provavelmente mostram o acontecimento mais importante do ano. Eu usaria isso mais com o ASC, MC e fortuna natais conj planetas no RS.

      A segunda parte eu nao sei sinceramente. Os nodos sempre me confundem.

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