Os pontos não importam

Bem vindos a Whose line is it anyway, o show onde tudo é inventado e os pontos nao importam.

Drew Carey

Como um fa de whose line, eu gostaria de usar o lema de Drew Carey: os pontos não importam. Em whose line, Drew geralmente distribuia 1000 pontos aleatoriamente, mas muitas vezes distribuía 5000, retirava pontos por alguma piada contra ele, mas como ele mesmo dizia, no final ele escolheria o “ganhador”de acordo com seu desejo (na verdade, dependendo da composição do jogo final).

Como assim os pontos não importam? Todo ocidente se baseia na ideia de números e de contar. Os árabes eram fascinados pelo poder que a aritmética lhes deu. A psicologia behaviorista nasceu toda da ideia de comportamentos observáveis e quantificáveis. Como diria Peter Drucker, da administração, o que é mensurado é gerido.

Mas a verdade é que, para a grande maioria das coisas, os pontos não importam.

A Racionalidade

O ocidente adora a racionalidade. Se algo é feito de maneira racional é bom, se não é mau, é ilógico, como diria senhor Spock. Por isso temos disciplinas como a ética tentando racionalizar até o comportamento moral.

Em uma matéria interessante que fiz sobre sustentabilidade no Coursera, o professor perguntava “se vamos defender o direito de um tigre de existir intrinsícamente (ou seja, não pelas coisas que podemos obter do tigre – como o turismo), isso quer dizer que também defenderíamos o direito de espécies daninhas ao ser humano? E a peste negra ou a varíola?”

Esse tipo de discussão geralmente parece “profunda” porque dentro do paradigma da racionalidade, TODOS os casos, por mais excêntricos que sejam, tem que ser justificados dentro de uma mesma régua. Já no mundo real, ninguém está defendendo o direito da peste negra de existir. Daí o professor universitário vai reclamar que as pessoas estão sendo emotivas, irracionais e blá, blá, blá. Se vamos ser racionais, então o ser humano só pode existir como predador, e toda a questão de “direitos” ou de “valor intrínseco” sequer podem existir.

Decisões

outro campo onde pontos são adorados é na decisão. Há vários sistemas de decisão, incluindo certos tipos de analise baseados em baynes, que são total e absolutamente inúteis. Pegue centenas de especialistas, tire a media de suas opiniões sobre a inflação e chegue num numero completamente fora do que realmente acontecerá.

Um exemplo prático desse tipo de método: imagine que você quer comprar uma casa. Faca uma lista de todos os fatores importantes para você (exemplo, numero de quartos, banheiros, garagem, piscina, jardim). Agora para cada imóvel que você visitar, você marcará com um X se a casa atende um fator, e depois dará pontos para cada casa.

Agora teste o método para qualquer coisa que você está em dúvida sobre qual comprar (roupas, eletrodomésticos, etc) e veja como frequentemente mostrará como ganhador um item que você não tem a menor intenção de comprar. Mas essa é a decisão “racional”entao o que fazer…

Os pontos não importam: Dignidades

Há cinco dignidades em astrologia tradicional (se você veio direto da astrologia moderna, sem ter lido as matérias anteriores, provavelmente nunca ouviu falar delas, e ainda deve ter aprendido as outras errado, então vá e procure no histórico): regência, exaltação, triplicidade, termos e decanos. Há também outras distribuições ainda menos conhecidas como dodekatemoria e monomoria, mas vamos ficar com as cinco principais.

A ordem das dignidades mostra sua importância, isso nunca foi discutido. O que acontece é que para alguns casos, algumas dignidades são mais importantes. Por exemplo, em coisas que indicam força e poder, como nas competições esportivas, a exaltação é a mais importante. Em certos usos, como do hyleg, termos podem ser os mais importantes.

Mas, quando começamos a nos preocupar com pontos, o que acontece? de repente, a regência “ganha” 5 pontos, a exaltação “ganha 4 pontos@ etc… Mas será que esses pontos realmente importam, ou Drew Carey está certo?

Variáveis ordinais e quantitativas

Os números tem propriedades, mas nem sempre estamos interessados em todas as suas propriedades ao mesmo tempo. Por exemplo, em certos momentos não usamos fraçoes, em outros não faz sentido usar números negativos (por exemplo quando falamos sobre altura ou peso).

quando usamos números “ordinais” isso significa que apenas estamos preocupados com sua ordem relativa. Por exemplo 1-peso normal, 2-sobrepeso, 3 – obeso. Ou 1- ensino fundamental, 2-ensino superior e 3- pós graduação.

Isso NAO significa que o número 4 seja duas vezes superior ao número 2, como seria em aritmética básica. Um dos problemas básicos de testes psicológicos atualmente é que variáveis ordinais (exemplo na escala de Likert’ de discorda totalmente até concorda totalmente), são coletadas e depois tratadas como variáveis quantitativas (somando, tirando média, etc).

E, obviamente, os astrólogos fizeram exatamente isso séculos atrás, bem antes dos artigos científicos.

Almutens

Os almutens, sendo o mais conhecido deles o Figuris, são calculados de acordo com a seguinte lógica: os 5 pontos de uma regência podem ser somados com os 3 pontos de outra e os 2 de outra e se conseguir um planeta que tenha o maior número de pontos, em uma eleição democrática.

Há vários motivos por que isso é falso. Vamos olhar algumas metáforas abaixo, pois já explicamos a parte filosófica dos números.

Hierarquia: números ordinais mostram hierarquia, e as propriedades quantitativas não se aplicam. Como no exemplo de John Frawley: “quando um capitão e um sargento discordam do general, você não soma as patentes dos dois menores e vê quem ganha… os dois menores simplesmente obedecem o general e pronto”

opiniões: Imagine que num questionário sobre onde morar, você assinala que gostaria muito de morar no norte da cidade (5) porque é uma região arborizada. Agora imagine que, no mesmo questionário, você diz que também gostaria de viver no sul (região com muito transporte). Voce não pode tirar a media das duas opiniões e dizer que a pessoa gostaria de viver no centro da cidade.

Valores desproporcionais. Muitas coisas na vida tem comportamentos não lineares, ou percolativo. Um real a mais ganha o leilão. Um pouquinho mais de voltagem queima o sistema. A palha quebra as costas do camelo. Um pouco a menos de antibiótico não cura a infecção.

Por exemplo, se  tomar uma pílula a cada 8 horas vai te salvar, tomar 2 pilulas a cada 16 horas provavelmente vai te causar uma infecção resistente a antibióticos.

Moral da historia

A vida nao é linear. Muitas coisas podem ser quantificaveis, mas muitas vezes nao deviam.

Pense na pessoa que está obcessivamente medindo suas calorias e o peso na balança, ao invés de se preocupar com outros números muito mais importantes, como nível de colesterol, tamanho da barriga, e sua própria disposição e energia subjetivas para viver.

Moral astrológica

Os pontos não importam. Veja qualitativamente as dignidades e que planetas tem direito sobre um tema. Use seu julgamento. Nao é uma equação e não será resolvida por números.

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Posted in astrology, Filosofia e Crítica
3 comments on “Os pontos não importam
  1. Adorei o post. Excelente explicação, muito clara e organizada. Obrigada!

  2. Como sempre, excelente artigo. Bom vê-lo publicando novamente.

  3. http://episthemologie.wordpress.com/2009/10/02/Weakness-and-strength-in-Astrology/

    Fuerza y debilidad en la astrología.
    Hay dos conceptos que son importantes en la astrología occidental: dignidad esencial y dignidad accidental. Esto es del vocabulario renacentista y no es lo mejor, pero es probablemente la más conocida versión del concepto, asi que voy a golpearla (no necesita cada astrólogo adoptar su propia nomenclatura sólo para demostrar un punto!).

    ¿Por qué esto es problemático? Primero porque varios astrólogos cometen el crimen de dar un número de “puntos” para cada dignidad. Cuando los astrólogos árabes dijeron que Regencia es 5 puntos, Exaltación 4, estamos en un terreno muy cualitativo, uno es más grande que el otro. Como decimos hoy, son números ordinales.
    Un ejemplo son los grados de la educación. Un título universitario es inferior a una maestría que a su vez es inferior a un doctorado. Pero esto no significa que podemos darle puntos a cada grado: “oh, la educación promedio en los Estados Unidos es 4,72, y en Japón es de 5, 3. Tampoco podemos sumarlos, dividirlos, etc.. Y esto es lo que se ha hecho con las dignidades esenciales.

    Mucho peor fue dar puntos a dignidades accidentales e intentar sumar las dignidades esenciales y accidentales como si fueran la misma cosa! Invito vigorosamente a los estudiantes a ignorar completamente la tabla que se encuentra en Christian Astrology. Es el tipo de cosa que, ante todo, nunca fue utilizada, y está lleno de errores conceptuales.

    Las Dignidades esenciales están conectados con la calidad. Por ejemplo, en una consulta horaria acerca de un Juicio, la dignidad esencial de las partes se relaciona con la calidad de sus causas, lo que significa que el planeta con mayor dignidad esencial generalmente es el correcto. Lamentablemente, como en la vida real, esto no significa de ninguna manera, que el planeta más dignificado ganará!

    En cartas de competencias donde un juez no es un factor importante, como en los deportes, en la que el juez sólo hace cumplir las reglas a seguir, el planeta con mayor dignidad accidental siempre ganará! Puede ser un equipo “malo”, pero él consiguió la fuerza! La dignidad esencial hará un “buen” equipo, pero tal vez todos están padeciendo una terrible diarrea desde el desayuno, o su mejor jugador es dolido porque su madre ha muerto. Buen equipo pero rendimiento horrible.

    Este es un punto muy importante, en astrología como en todos los otros campos científicos: en nuestro mundo material, de generación y corrupción, dignidad accidental generalmente le gana a dignidad esencial, casi siempre! Mantenga un ojo en esto!

    Termodinámica versus Cinética

    En una vida anterior, yo era un químico. En química, dos campos y sus disputas pueden resumir el estudio de las propiedades físicas de las reacciones químicas: Termodinámica y cinética. La Termodinámica estudia las reacciones en el estado de equilibrio. La Cinética estudia las reacciones fuera de este estado.

    En el equilibrio, la termodinámica puede decir todo tipo de cosas importantes acerca de la reacción, como la eficiencia de la reacción, las energías involucradas, etc. Tanto fue el éxito de este tipo de teoría, que impidió el desarrollo de la cinética por más de un siglo. Obviamente, el problema es que la termodinámica es la ciencia de las reacciones en el equilibrio… y solo existe el equilibrio cuando la reacción ha terminado.

    Para no prolongar demasiado el asunto, podemos decir que la termodinámica estudia las reacciones químicas en un estado de perfección, reacciones que no vemos en la vida real. En la vida real, las reacciones que la termodinámica dice que suceden no suceden a menos que el químico utilize alguna ayuda como catalizadores, presión o calor. Este estudio sería cierto si las reacciones fueran perfectas.

    Pero la Cinética estudia las reacciones en la vida real. En la vida real reacciones que deben suceder no necesariamente suceden y tenemos que estudiarlas. Existe otro paralelo en la economía. La economía estudia los mercados en el estado de equilibrio y al igual que la termodinámica, ignora los Estados en que el sistema se encuentra fuera de equilibrio. Así, los mercados siempre están en estado de perfecta eficiencia, a diferencia de la vida real, donde hay problemas de distorsión en todos los mercados reales. La teoría económica es bastante mala para entender las crisis en el sistema, como la crisis anterior que lo mostró muy claramente. Todos los los modelos para predecir el monto de riesgo de caída que los bancos tenían, fueron completamente equivocados porque se basaban en premisas de un sistema en equilibrio.

    Materia y Forma

    Los griegos tenían el modelo de Materia y Forma. La materia de algo, como perros, es la cosa esencial que hacía los perros, su “cangenerador. Pero este “cangenerador” se puede manifestar en un número muy grande de perros y la forma de este “cangenerador” se materializa en una forma distinta. Como la esencia es espiritual, solemos descalificar la parte “forma”, porque, después de todo, no es imprescindible! Gran error, porque, como en los perros, cada perro tiene la misma esencia “cangeneradora”, pero un Caniche y un Pitbull son muy diferentes en su manifestación de esta esencia.

    La Astrología moderna es un campo “termodinámico”. Además de otros problemas en la técnica, su enfoque en el logro espiritual ha hecho que los astrólogos completamente ignoren el concepto de la “fuerza” de un significador. No hay ningún problema en decir “psicológicas” cosas sobre mi “relación con el dinero”. Pero para hacer predicciones en la astrología, necesitamos un enfoque que nos permita conocer la fuerza en el mundo terrenal. Y el concepto de fuerza de los regentes de casas, etc., es tal que los alumnos que comienzan con la astrología moderna tienen dificultades para entenderlo.

    En un próximo artículo explicaré más por qué los astrólogos modernos siempre están rápidamente dispuestos a descartar cualquier concepto de fuerza en la astrología.

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