Mudanças de dinastia – Bebendo na fonte

No tempo de Abu mashar, obviamente nós não tínhamos um mundo dividido em Estados Nação. Mas a visão de Abu Mashar me parece muito mais clara do que a dos astrólogos pop, que veem tudo como trânsitos e cartas “do país”. Por exemplo, a carta dos EUA é disputada, com mais de 200 candidatos, e todas girando em torno do dia 4 de julho, quando foi assinada a carta de independência. Outros fatores muito mais importantes, como o início da guerra, o final da guerra, a decisão de transformar as 13 colônias em uma união federativa distrital, a criação de uma constituição, nada disso importa, o importante é a data que as pessoas aprenderam na 3a série.

Na época havia reis, impérios e o que chamaríamos de senhores feudais. Alguns regendo sobre diversos níveis de democracia e divisão de poder, outros sobre a regra do medo. Abu Mashar sabia que um líder bárbaro que ascendeu e se mantém sobre o reino do medo, à la Mad Max, terá reinado curto, pois o líder tem vida curta até outro bárbaro o mate. Mesmo que ele sobreviva, não há razão de haver uma linhagem, e depois de um tempo a estrutura de poder se dissolve. Para haver um reinado, é necessário a sobrevivência da autoridade do líder através de uma linhagem, e essa linhagem para ser mantida através de uma lei. E as leis são mantidas por que o povo acredita nas leis, e elas são escritas baixo uma “religião” (o mesmo princípio que hoje chamaríamos de constituição).

Então Abu Mashar não vai falar sobre países, porque tecnicamente eles só começaram a existir por volta do século 16-18, com a unificação da Espanha, e depois de outros países europeus como França, Alemanha, etc. Ele fala sobre a mudança de poder entre as dinastias (para nossa realidade os países) e as famílias (os grupos de poder dentro dos países).

Abu Mashar, ,On hystorical astrology, p.51.

(…) vamos começar o capítulo falando sobre como saber a mudança de dinastia de uma nação para outro (Lembrar que nessa época não havia estados-nação, e sim reinados, impérios e senhores feudais) e para qual nação a dinastia vai, já que o ranque dos reis segue o dos profetas (sobre os profetas, Abu mashar fala nos capítulos anteriores falando sobre as Grandes Conjunções que mudam de triplicidade).

 

Para saber as mudanças de dinastia é necessário saber o ascendente do mapa que mostra o início da dinastia (por exemplo, para saber sobre o futuro dos reis Ingleses, veríamos quando o mapa do ingresso solar onde a dinastia de Elizabeth tomou posse pela primeira vez), e o ascendente das conjunções que ocorrem (difícil saber se é a GC anterior à dinastia, ou se é a GC atual, por exemplo a do ano 2000).  e os ascendentes dos anos e quartis (do ano é o ingresso em áries, dos quartis os 4 ingressos, em áries, câncer, libra e capricórnio – isso para mim implica que Abu Mashar está falando sobre como prever os eventos do ano para a dinastia) e também ver os ascendentes (dos inícios) progredidos.

 

Vemos então se a mudança de dinastia acontece no final de uma dawr (dawr = período de 360 anos fixos para o mundo, começando da suposta data do dilúvio); se o ascendente da religião (Grande Conjunção onde se mudou de tripicidade anterior à religião, por exemplo o início do Islamismo é dado pela GC em 571 em escorpião) não aspecta o ascendente (do ano da dinastia?).

Se a dawr chegar ao final e indicar uma mudança de dinastia, veja em que signo chega a profecção e em que signo ocorre a Grande Conjunção. O signo em que ocorre a Grande Conjunção mostra o povo e a região para a qual vai a dinastia. O signo em que chega a profecção no mapa da Grande Conjunção (atual) mostra a razão pela qual a dinastia muda (olhando em que casa do mapa o signo cai). Se o ascendente profectado, por exemplo, estiver nas casas 9 ou 3, a mudança é por causa de religião, especialmente se o planeta que é o dispositor da Grande Conjunção estiver nesse signo profectado.

Os seguidores da nova dinastia (rei, aliados, povo e herdeiros) virão da direção na qual Marte está localizado em relação ao sol (leste ou oeste). Se oriental (direção horária a partir do sol no mapa) será o povo do leste ou sul; se marte estiver ocidental, do norte ou oeste. Se marte estiver em um dos ângulos, principalmente oposto à conjunção de Júpiter e saturno, acelera o processo de fundação da dinastia. Se estiver cadente (casas 6, 8, 12) indica atraso. Na casa 6 indica que os seguidores são escravos e a ralé.

Se a profecção estiver em signos do mesmo elemento que a Grande Conjunção, os seguidores são da família do novo rei. Se marte estiver cadente, indica que serão ignnorados e só depois obterão o reinado. Se marte estiver angular indica que a família ganha poder pela força.  Se estiver em quartil à GC, há problemas para o rei e seus exércitos, especialmente se marte estiver na 4.

Para saber se as dinastias atuais vão continuar na GC que muda de elemento, veja onde está a profecção do início da dinastia. Se a profecção desse ano estiver em um dos ângulos da carta da dinastia, isso indica que a dinastia continua firme até pelo menos o final da dawr, especialmente se o ano chegar a um signo regido pelo planeta que domina a conjunção (exemplo – em 2000, júpiter – saturno estava em touro, portanto vênus domina a conjunção).

Se no momento da GC, saturno tiver maior latitude, indica que as mudanças serão causadas por guerras e injustiça. Se Júpiter tiver maior latitude, indica que as mudanças serão por respeito à justiça e equilíbrio.

Se o senhor dos termos da Lunação que acontece antes do ingresso solar (ou um quartil do ano) for um maléfico, isso indica a rebelião contra reis e surgimento de oponentes (….)

Já para a mudança de dinastias e reinado dentro de uma nação, de uma família para outra, isso ocorre quando os planetas inferiores regem o período de quartil da dawr (a dawr é de 360 anos, o quartil de 90 anos). Se a conjunção indicar mudança e ela ou o ascendente estiverem em um signo bicorporeal, isso indica a mudança de poder entre as famílias quando o ascendente profectado chegar ao signo da GC. Outra possibilidade é 20 anos depois, na próxima GC, quando a profecção der uma volta inteira. Quando a GC for no começo de um signo, a mudança é na terceira conjunção (60 anos depois), se no meio, é na segunda conjunção (40 anos depois) e se for no final do signo é na primeira conjunção (nos primeiros 20 anos).

Exemplo – Estados Unidos.

Os Estados Unidos começaram como 13 colônias que se uniram contra a Inglaterra. Após a vitória, eles criaram uma constituição, e sob essa nova lei o primeiro presidente tomou posse em 1789, George Washington, e essa carta que é usada na astrologia tradicional como “fundação” do que Abu Mashar chamaria de uma “dinastia”, que é mais importante que um simples reinado. Hoje nós chamamos essas dinastias de Estados Nação.

A carta da fundação tem o ASC em Escorpião. A última grande conjunção que aconteceu foi em 2000. Usando as instruções de Abu Mashar, profectamos o ascendente (avançando um signo por ano) e em 2000 chegamos a Libra. Libra é o 12 segundo signo da carta de fundação da dinastia, e também não aspecta a GC em touro. A dawr atual é de Saturno e Virgem, e está em seu final, acabando em 2020.

Portanto a dinastia está num momento de crise e Abu Mashar diria que haverá uma mudança de dinastia para outro país. Ele diz que temos que ver os motivos da mudança de dinastia pela casa onde cai a GC na carta do ingresso do ano de 2000 – cai na casa 4 dos recursos, povo, terra, fundação, valores, ancestrais, casas, etc.

O que me ocorre é que os problemas principais dos EUA que fortaleceram sua problemática e perda de poder ocorreram em função do ataque em seu território (11 de setembro) e a bolha imobiliária. Mas é justo dizer que várias outras posições seriam possíveis, como a casa 7 ou 8 dado a propensão da águia de se estender pelo mundo inteiro.

A mudança de poder dos EUA para China pode ser melhor vista na GC de 1980. Por que? Porque essa foi a GC onde mudou a triplicidade (elemento) da GC, que por dois séculos foi em signos de terra, e passou para signos de ar. A partir de 1980, a China começou a se abrir comercialmente para o mundo, o que acabou no que temos hoje, com quase toda a indústria mundial, tanto a pesada quanto a tecnológica, indo para o país, buscando por baixos salários e poucos impostos, alterando a balança mundial de poder nos últimos 40 anos. Minha expectativa é que com o começo da Dawr de Júpiter libra em 2021 a nova ordem mundial se estabelecerá. Os EUA não vão simplesmente desaparecer, mas terão que aceitar um papel secundário, da mesma maneira que a Europa pós Segunda Guerra Mundial.

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2 comments on “Mudanças de dinastia – Bebendo na fonte
  1. Paulo says:

    E para o Brasil? Qual seria a cartta de fundação?

    • yuzuru says:

      ABu Mashar diz para pegar o Ingresso antes da Posse do primeiro lider sob uma constituição.

      No nosso caso pegamos a de Marechal deodoro, não quando ele “proclamou” a república, mas quando ele tomou posse, sob a primeira constituição republicana (nova dinastia) que derrubou a antiga (imperio)
      Por isso eu uso o ingresso solar de 1890 para o Rio de Janeiro

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