Eclipse 2020 parte 2 – Brasil

Eclipse 2020 parte 2 – Brasil

Resumo
Mashallah é um dos textos seminais da interpretação de Eclipses. Uma de suas técnicas é de olhar o regente do eclipse na carta do Ingresso e depois comparar com o Regente do Ingresso na carta do Eclipse, procurando por confirmações. Olhamos assim o eclipse de dezembro 2020.

Na parte 1 eu falei em uma live do youtube sobre a mecânica básica dos eclipses – o que é necessário para ter um eclipse (lunação com latitude zero), o que é latitude, o que são os nodos (os pontos onde a lua tem latitude zero), quando acontecem os eclipses (a lunação acontece conjunta aos nodos) e a natureza dos nodos (norte – materialista, elétrico, sul, antimaterialista, depreciativo).

Além disso vimos os métodos clássicos de Ptolomeu (olhar a sombra do eclipse, 1 hora = 1 ano de efeito; o efeito principal é visto de acordo com os terços contados a partir do Ascendente; coreografia – exemplo espanha regida por sagitário, Rússia deve ser afetada por Saturno em Aquário – de acordo com Sepharial).

Mas muito da astrologia só se desenvolveu no período árabe. Os gregos não lidaram com astrologia mundana (com exceção apenas de Ptolomeu – e as fontes que ele usou são desconhecidas, podem ter sido da Índia, Pérsia, Babilônia, etc). Os dois grandes nomes da Astrologia Mundana são Mashallah e Abu Mashar, outros só repetiram o mesmo que eles disseram.

Abu Mashar praticamente não se importava com eclipses. A palavra chave para entender Abu Mashar são milênios – ciclos de 360 anos são curtos pra ele. Ele analisa os eclipses numa seção de apêndice que é basicamente “atualidades e banalidades – como analisar as minúcias que acontecem durante o ano e são importantes para a plebe, como se a colheita vai ser boa ou se um sertanejo vai morrer”.

7 fatos estranhos envolvendo eclipses

Mashallah é mais importante nessa área – seu maior ciclo é de 1000 anos (vindo de uma linha zoroastrica, ele dá ao universo apenas alguns poucos milênios *). Seus períodos mais longos tendem a ser os de 20 anos das Grandes Conjunções e os de mudança de triplicidade, a cada dois séculos. Ao invés de procurar cartas de fundação, ele geralmente fala sobre achar um senhor do ano para as cartas de ingresso solar (no seu livro de ingressos solares – sua análise das grandes conjunções é mais de longo prazo).

Já falamos sobre o problema do Senhor do ano e de como encontrá-lo nas cartas de ingresso. Basicamente queremos um planeta que seja forte ou presente para a região onde trabalhamos.

O básico das cartas de ingresso é que são iguais para o mundo todo – portanto precisamos localizar, particularizar, selecionar o planeta mais importante para aquela região do mundo. Começamos por aí – como o Brasil teve um ingresso em áries em capricórnio, precisamos de quatro ingressos, um para cada estação do ano. A doutrina geralmente pede para levantar o ingresso anterior ao eclipse, aqui ficamos com uma dúvida. Usamos áries, que é o básico, original e sempre importante, o ingresso imediatamente anterior, em Libra, ou o em Capricórnio, que começa alguns dias depois?

ingresso Libra.

Sem grande convicção, eu usei o ingresso em libra, pois acredito que é mais provável que possamos usar os ingressos menores (nas 4 estações) pois eclipses tendem a ser eventos menores dentro das hierarquias de Abu Mashar e Mashalah. A carta do ingresso em Libra para Brasília está acima.

A depiction of a total eclipse that occurred on May 12, 1706 [source]

Para localizar os poderes dos planetas para o Brasil, levantamos a carta para a capital e vemos qual seria o planeta que é o Lorde do Período: vemos quais são os planetas mais angulares, e além disso queremos saber quem são os planetas com direito de dignidade no ascendente, que têm mais aspectos, algo que seja o ponto que focaliza o espaço com o tempo (lembre que as posições dos planetas são iguais no mundo todo).

Na prática a escala de prioridades vai variar um pouco com autor e com quem lê – se eu pego os planetas angulares e filtro por planetas com maior dignidade, ou retrógrados; OU se eu pego os planetas regentes do ascendente e seleciono os mais angulares, tudo isso causa pequenas mudanças.

Para mim o mais importante logicamente é a angularidade – como dito a posição dos planetas é igual para todo o mundo; o signo do ascendente é o mesmo para grandes regiões (um grau é equivalente a uns 100 quilômetros, grosseiramente). Então selecionamos planetas bem perto dos ângulos, e vamos filtrando

.

O planeta que aspecta o Ascendente mais proximamente é vênus. Sol é o único planeta angular. O Lorde do ano (trimestre) é vênus porque aspecta proximamente o ascendente, tem direitos no ASC por termo e também é o dispositor do sol. O senhor do Rei seria mercúrio, porque rege a 10 e está em contato com o Lorde do Trimestre. Outro candidato poderia ser Júpiter, que rege o ascendente e está em antiscia com a Lua.

Então vemos o dispositor do eclipse – o dispositor de sagitário é Júpiter – e vemos sua posição e estado no ingresso solar:

«Veja se o senhor do eclipse estava impedido por maléficos no ingresso solar – pois o que significava dará mal resultado. E se o senhor do eclipse for o Lorde do Ano, o povo sofrerá quando o sol atravessar (por trânsito) o ascendente do eclipse, (…)

Mashallah, adaptado

O senhor do eclipse é Júpiter e não aspecta vênus e nem é Lorde do Trimestre. Júpiter não está particularmente afetado nessa carta (fora a dignidade, que será igual para todos os lugares), não sofre aspectos importantes. Sua posição na 2 sugere um efeito na economia, poupança interna, investimentos e bolsa de valores.

Como já estamos no final da estação, vamos levantar para a carta do ingresso solar em Capricórnio e ver que diferença faz. A carta do ingresso solar em capricórnio está abaixo

Ingresso solar de capricórnio em dezembro para Brasília.

O planeta mais forte por angularidade, aspecto ao ascendente e dignidade no ascendente e própria é marte. Marte fica sendo o senhor do período.

O senhor do eclipse é Júpiter, e no ingresso em Capricórnio está sendo atacado pela conjunção a saturno. O senhor do eclipse NÂO é o Lorde do Ano, mas o grau do eclipse 23 sagitário aspecta a marte (nota – a posição de marte é igual para todo o mundo – mas nem todas as partes do mundo terão marte como Lorde do ano). O senhor do Rei provavelmente é vênus que rege a 10 e enxerga a Marte.

As aflições de saturno são pobreza e escassez, mal tempo, principalmente no inverno, inflação (por causa da analogia com falta de comida), estagnação, terremotos.

Agora olhando no eclipse

Agora Mashallah também fala sobre ver a carta do eclipse do sol – olhamos o dispositor do eclipse e o senhor do ascendente do eclipse:

«… se souber que haverá um eclipse (visível) nesse ano, veja o dispositor do signo do eclipse, em que condição está esse planeta e veja sua relação com o senhor do ascendente do Eclipse e também o Lorde do Ano (do ingresso solar), e também se são os benéficos ou maléficos que o aspectam…»

Carta do eclipse 14 dezembro 2020

Ou seja, primeiro vimos o dispositor do eclipse na carta do Ingresso, agora confirmamos no mapa do próprio eclipse! Meu entendimento é que Mashallah quer que vejamos mais de uma carta buscando por confluências de significados.

Na verdade a primeira coisa a atrair os olhos deve ser o grau do eclipse e os ângulos da carta – 23 de sagitário forma um antiscion com o MC, e afeta o Brasil mesmo que a sombra não estivesse tão próxima.

Dai olhamos o grau do eclipse 23 de sagitário no ingresso em libra – está na casa 1 (economia, saúde, felicidade geral). O senhor do ascendente do Eclipse, marte, está em quadratura com o senhor do eclipse, Júpiter. Então na região toda com o ascendente regido por marte haverá problemas.

Agora olhamos o lorde do ingresso na carta do eclipse. Vênus como Lorde da carta de ingresso está na casa 8. Isso dá dívidas, mortes de famosos, principalmente mulheres, aumento da mortalidade em geral (estamos em um momento de epidemia), dívidas, flutuação no câmbio e comércio exterior.

Procurando confluências

A essência da astrologia é procurar por pontos em comuns, confluências – essa é a doutrina básica da previsão – a confluência de testemunhos. Na carta do eclipse temos o senhor do ascendente brigando com o senhor do eclipse, indicando problemas – vemos as origens desse problema no senhor do ingresso, vênus, na casa 8, mostrando ansiedade, dívida, mortes, problemas no câmbio. Também esclarecemos as tendências do eclipse olhando como elas se manifestam no ingresso – o senhor do eclipse júpiter, está na casa 2, que como a 8 tem temas de comércio, dinheiro, dívidas, bolsa de valores. usando o método de Mashallah consideramos que há testemunhos nos próximos 6 meses de aumento de mortalidade, desastres e principalmente problemas econômicos.


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